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INTERPRETAR
PESADELOS

A
interpretação
dos pesadelos
Enfrentar
um pesadelo
Como evitar os pesadelos
Em média, um terço da nossa vida é
passado a dormir e uma parte do nosso sono é preenchido por sonhos que por
vezes, são mais negros que a própria noite. São os nossos sonhos maus, mais
conhecidos por pesadelos.
Para os entendidos, sonhos e pesadelos não acontecem por acaso.
Muito pelo contrário, são reacções muito bem planeadas pelo inconsciente. É
lá que guardamos muitos dos nossos medos, incertezas e dificuldades de viver, e
é de lá que saem as reacções esse arquivo escondido. Reacções que se
mascaram com o que de mais feio há na nossa mente! Mas, no fundo, ao aparecerem
vestidas de monstros nocturnos, essas imagens não são mais que símbolos
daquilo que tememos ou daquelas características menos positivas de nós
próprios que, por alguma razão, ainda não conseguimos ultrapassar. Daí que
enfrentar um pesadelo possa ser melhor política que andar a fugir dele,
procurando constantemente ignorá-lo ou evitando interpretá-lo.
A
interpretação dos pesadelos
Infelizmente, não se encontra muita concordância entre os
vários autores que investigam o significado genérico dos sonhos ou pesadelos.
Diferentes explicações são apresentadas para sonhos idênticos, o que as
torna pouco fiáveis. No entanto, e muito mais importante do que associar aquilo
que sonhamos a resultados genéricos apresentados numa tabela algures, é tentar
interpretar os nossos próprios sonhos, usando técnicas recomendadas por
alguns especialistas.
O princípio fundamental é que saibamos descrever cada sonho
com o maior detalhe possível. Para isso, é importante que o possamos lembrar
quando acordamos. Para os mais fracos de memória, um bom exercício passa pela
sua preparação, ainda antes de adormecer (preparando a mente para não
esquecer nada do que venha a acontecer!) e recorrer à nossa memória assim que
acordarmos, com um papel e caneta por perto, onde possamos escrever fielmente
tudo o que ela tenha registado nessa noite. Antes de escrever, recomendam os
especialistas, deixe-se ficar quieto durante um ou dois minutos para reconstruir
a estrutura base do sonho. Só então deve lançar-se ao papel. Este exercício
poderá não resultar da primeira vez, mas a sua prática levará a um maior
domínio sobre aquilo que sonhámos.
Uma vez conhecido o enredo e as personagens do sonho, deverão
então colocar-se as seguintes perguntas: "Onde/quando/quem/o que é que a
imagem do sonho me lembra?"; "Se tivesse que explicar essa imagem a
alguém que nunca a tivesse visto, como é que a explicaria?".
A associação de pessoas, situações ou acontecimentos ao
enredo do nosso sonho, pode ser mais importante que o conteúdo por si só
Por exemplo, se existe no sonho uma casa a arder, interessa mais saber de quem
é essa casa ou onde está, do que concentramo-nos demasiado nas chamas ou no
fogo.
Depois de ter descrito o sonho, divida uma folha em duas colunas
e do lado esquerdo escreva todas as imagens que recorda. Debaixo de cada uma,
coloque as respostas às duas perguntas. Na coluna da direita, escreva aquilo
que julga ser o significado do sonho ou pesadelo. Com o decorrer dos dias,
compreenderá que a interpretação dos sonhos é mais eficaz quando olhar para
eles de forma integrada, à medida que os for escrevendo em noites sucessivas e
for encontrando elos de ligação entre eles. Curioso será reparar e analisar
aquelas imagens que mais se repetem nos vários sonhos que vai tendo.
Enfrentar
um pesadelo
À medida que vamos conhecendo e dominando os nossos
pesadelos/sonhos, vai-nos sendo possível iniciar técnicas de combate aos mais persistentes
e que, de alguma forma, mais nos perturbam. De cada vez que formos capazes de
enfrentar, e até vencer, os protagonistas dos nossos pesadelos, estamos a
envolvermo-nos no nosso lado mais negativo e, consequentemente, a dar o primeiro
passo para a sua transformação.
Talvez por isso alguns especialistas acreditem que enfrentar o
pesadelo possa ser tão útil quanto enfrentar os próprios problemas que lhes
estejam na origem. Se um pesadelo persiste, há que conhece-lo bem para então
dar início às técnicas de combate.
Antes de dormir, é possível estimular defesas para a noite que
se anuncia. É tudo uma questão de mentalização: antes de adormecer diga a si
mesmo que não quer ver o seu sono perturbado pela presença de pesadelos, mas
que no caso de eles se apresentarem serão duramente confrontados. Se nos
pesadelos o seu agressor é o Drácula (o exemplo parece ridículo mas, na
verdade sonhamos com coisas muito piores que o Drácula) prepare a sua mente
para, durante o sono, lhe responder na mesma moeda, enfrentando-os combatendo-o.
Como
evitar os pesadelos
Para além das técnicas, que nos ajudam a enfrentar o pesadelo,
e da necessidade de compreender se está contida alguma mensagem do nosso
inconsciente, existem outras formas de, simultaneamente, ir incentivando o seu
desaparecimento.
Segundo os entendidos, dormir de barriga cheia pode ser causa de
muitos pesadelos. Por isso recomenda-se que não faça refeições pesadas antes
de se deitar. O truque pode ser não comer três horas antes de ir para a cama.
Outra razão aparentemente confirmada, é a ingestão de drogas.
Segundo o Dr. William Dement, especializado nesta temática, até os comprimidos
para dormir podem causar sonhos profundamente perturbados. Muitas pessoas que
começam a tomá-los na tentativa de reduzir as insónias, acabam por precisar
de doses cada vez maiores para continuarem a ser eficazes. Em alguns casos, a dependência
torna-se tão evidente que, depois de algum tempo, já não conseguem dormir sem
essa dose diária. Sem eles é normal que aconteça uma das duas coisas: uma
total incapacidade de dormir ou, conseguindo dormir, uma provável ocorrência
de pesadelos.
Xis, N.º 71
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