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O ENIGMA DA
COMBUSTÃO HUMANA ESPONTÂNEA
*Vítimas que,
sem qualquer razão aparente, se inflamaram subitamente*
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A viúva Maru Reeser era uma mulher
gorda, de 77 anos, que vivia sossegadamente numa modesta mas agradável habitação
de Sampetersburgo, Florida. Na manhã de 2 de Julho de 1951, chegou um telegrama
para ela. A senhoria, que vivia no mesmo edifício, tentou entregar-lho, mas não
recebeu resposta de Mrs. Reeser. Experimentou rodar a maçaneta da porta, mas
esta estava tão quente ao toque, que a fez soltar um grito de dor.
Havia dois pintores a trabalhar ali
perto e a senhoria chamou-os e pediu-lhes que arrombassem a porta. Os homens
meteram-lhe os ombros e, com um estalar de madeira, a porta abriu-se, mas
tiveram todos de recuar ante uma onda de calor que parecia provir de uma
fornalha. Porém, quando, momentos depois, entraram cautelosamente na habitação,
não havia sinais do inferno de chamas que esperavam encontrar, tudo o que
puderam ver foi uma fraca chama lambendo a parede divisória que os separava de
pequena cozinha do apartamento.
Apagaram-na com facilidade e
espreitaram para a cozinha.
A proprietária da casa esperava ver a
Mrs. Reeser, talvez adormecida na sua cadeira de braços, mas o que restava da
cadeira eram apenas algumas molas dos estofos... e de Mrs.
Reeser alguns ossos irreconhecíveis e
carbonizados, um crânio reduzido a metade do seu tamanho original por causa do
intenso calor e uma única chinela de cetim com um pé cuja a perna ardera até
ao tornozelo...
Os utensílios plásticos que se
encontravam na cozinha haviam derretido e um espalho estilhaçara-se com o
calor. No entanto, todos os outros sinais demonstrativos de que houvera um fogo
limitavam-se a uma pequena área de soalho chamuscado, pois até um jornal que
se achava ali perto estava absolutamente intacto.
Num inquérito oficial levado a efeito
sobre a morte de Mrs Reeser, os especialistas confessaram-se inteiramente
perplexos: as chamas que lhe consumiram o corpo atingiram uma temperatura
superior aos 1300 graus centígrados que eram necessários para incinerar os
corpos no crematório da cidade, mas o fogo não alastrara a mais do que alguns
centímetros em volta do corpo da velha senhora. Não fora encontrada qualquer
causa para o incêndio e a sugestão da Polícia de que Mrs. Reeser adormecera
enquanto fumava e pegara fogo às roupas
foi ridicularizada no tribunal pelo
patologista.
Os especialistas admitiram a derrota e
a única alternativa era o de aceitar um dos mais estranhos e mais discutidos
fenómenos de todos os tempos: a combustão espontânea, a súbita irrupção de
chamas num corpo, durante a qual, por vezes nem sequer as roupas são afectadas.
O impenetrável caso de Mrs Reeser é
apenas um dos mais recentes fenómenos de combustão espontânea, pois as
"tochas humanas" têm sido discutidas há muitos séculos(Charles
Dickens referiu-se a um caso desses na sua obra Bleak House"). No entanto,
como os cientistas do século XX estão altamente cépticos a respeito do fenómeno,
tais casos raramente são bem documentados e estudados. Mesmo assim, além da
morte de Mrs. Reeser, existem mais alguns casos bem comprovados.
Em 1880, um eminente médico, Dr. B.
H. Hartwell, encontrava-se entre as várias testemunhas da morte de uma mulher,
em Ayer, Massachusetts, a quem surgiram subitamente chamas do torso das pernas,
provocando-lhe uma morte horrível.
Em Inglaterra, em 1919, um bem
conhecido escritor dessa época. J. Temple Thurston, morreu em sua casa, no Kent,
com o corpo terrivelmente queimado da cintura para baixo. O veredicto do inquérito
concluiu que ele fora vítima de ataque cardíaco, mas ninguém conseguiu
explicar como metade do corpo havia sido atingido quando não existiam sinais de
fogo no quarto e o resto do corpo estava intacto, e como ele ardera por debaixo
das roupas sem sequer as chamuscar.
Um outro caso de combustão humana
espontânea ocorreu na Inglaterra, na década de 1930.
Envolveu um secretária de 19 anos,
Maybelle Andrews, que se encontrava a dançar com o namorado num clube do Soho
de Londres. Subitamente surgiram-lhe chamas do peito e das costas, consumindo-a
em poucos minutos e resistindo a todas as tentativas dos outros dançarinos de
as apagarem. O inquérito oficial não ofereceu qualquer solução para a sua
morte misteriosa e o estarrecido namorado, William Clifford, contou: " As
chamas pareciam provir do interior do corpo dela". Resultado do inquérito:
morte por acidente, causado por fogo de origem desconhecida.
Ainda outro caso, e dos mais bem
autenticados de combustão humana espontânea, ocorreu nos EUA e envolveu Billy
Peterson, que estava sentado no seu carro num parque de estacionamento em
Detroid, quando, aparentemente, surgiram chamas do seu corpo. Assim que as
pessoas que vieram em seu socorro retiraram o corpo carbonizado, descobriram que
o calor no interior do carro fora tanto que derretera parte do painel de
instrumentos, embora as roupas de Billy Peterson nem sequer estivessem
chamuscadas.
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